Já se passaram mais de 10 anos anos desde que conduzi meu primeiro brainstorming. Trabalhava em um hospital e o problema a ser resolvido era aumentar o nível de conscientização das pessoas quanto algumas regras bem simples, mas que mexiam com a cultura e o hábito.

Conduzi um brainstorming a partir daquilo que os envolvidos tinham como certezas, o que nos levou a olhar o problema da perspectiva de quem tinha respostas (ou cria nisso, ao menos). Essa abordagem tornou as pessoas sensíveis, pois tudo parecia uma crítica quanto às certezas que cada um trazia, o encontro se tornou uma sala de guerra de egos e opiniões agressivas.

Quando percebi isso encerrei aquele encontro. A ideia era mudar o paradigma, mostrar uma nova crença e criar engajamento verdadeiro, mas a condução que eu estava fazendo levou o grupo no sentido oposto. E foi nesse primeiro brainstorming que veio, também, meu primeiro aprendizado sobre construção colaborativa de soluções.

Perdi uma noite de sono pensando, lembrei-me de um livro do sociólogo Parker Palmer sobre exploração criativa através de questionamentos abertos e honestos. Lembrei-me que na essência de minha formação, como jornalista, estava a habilidade de fazer as perguntas. Misturei tudo isso e acabei descobrindo um jeito de fazer brainstormings que resolvem problemas reais.

A sessão seguinte teve como ponto de partida uma pergunta simples e clara, baseada em problemas mensuráveis, exemplificados e recentes, conectados à mudança que se precisava fazer.

Esse foi meu primeiro aprendizado sobre a condução de brainstorming: partir de perguntas claras diretamente ligadas a fato recente, mensurável e exemplificado com casos reais que sejam da ciência de todos. Essa abordagem vai criar o ambiente fértil para a exploração aberta e solução colaborativa de problemas reais.

Recentemente pude apoiar um CEO que atua no segmento Medtech na solução de um problema grave de integração, que acontecia em momento específico da fase de implantação, pela qual passam todos os novos clientes da empresa (jornada do cliente). A solução foi construída colaborativamente com pessoas envolvidas e impactadas: área de Customer Success, Vendas, Produto, Tecnologia e até mesmo representantes de 4 clientes. No começo de 2019 fizemos uma dinâmica parecida na SocialBase e foi muito produtivo também.

Compartilho os primeiros slides* que deram o tom da condução desse brainstorming.

Deixar as regras do jogo claras é muito importante. A pessoa facilitadora da sessão de brainstorming deve dar o exemplo no respeito ao regulamento.
Definir uma pergunta específica, direta e conectada a um problema utilizando um caso/exemplo real, recente e da ciência de todos. Imprimir essa folha e deixá-la ao alcance do olhar de todos é muito útil!
Resumo trazendo fatos e mensurações recentes que tangibilizem o problema e que sejam do conhecimento de todos os envolvidos.
É importante direcionar a estrutura de pensamento das pessoas sem sugerir possíveis soluções. Dar um tempo limitado e uma tarefa clara ajuda na criação de senso de urgência saudável. Ditar o ritmo é importante papel de quem está facilitando esse tipo de trabalho.

Brainstorming é uma técnica colaborativa de solução de problemas. Para que ela funcione é preciso preparação. O fato de ser algo que pode ser divertido, leve e altamente eficaz não quer dizer que seja fácil. Preparar-se para uma sessão dessas é uma atividade que requer, no mínimo, uma semana de antecedência dedicando-se aos detalhes. Não deve-se tratar de forma leviana e eu espero verdadeiramente que esse conhecimento possa ajudar nessa etapa:

  1. Torne claras as regras da dinâmica;
  2. Estabeleça um ponto de partida a partir de uma pergunta clara, ligada a um fato recente que possa exemplificado e mensurável;
  3. Compartilhe um pouco de contexto e detalhes sobre esse problema: fatos sobre como impacta a realidade, números que mensurem o tamanho do problema, depoimentos reais etc.

Por fim, ao se preparar para conduzir uma dinâmica dessas não deixe de definir a metodologia para processar os insumos produzidos pelo brainstorming. Um bom macete é definir isso antes mesmo de realizar o brainstorming.

Como você vai categorizar, priorizar, agrupar e tornar o resultado do trabalho acionável? Como você fará para causar impacto transformador e rápido? Responder a essas perguntas com segurança vai te ajudar a avançar com velocidade e qualidade.

Caso queira compartilhar suas experiências, trocar ideias ou dúvidas etc é só mandar uma mensagem direta no Linkedin ou um e-mail para leonardo.camacho@socialbase.com.br.

É isso! Espero ter ajudado. :-)

*Esses slides e a menção ao caso foram compartilhados com autorização, conforme o o acordo. Qualquer informação que permitiria a identificação do caso, bem como pessoas e empresas envolvidas, foram removidas.