Em um sessão de trabalho sobre branding surgiu a palavra "trabalho" como uma das possíveis âncoras da estratégia de marca. A reação de uma das pessoas envolvidas me chamou atenção:

"Essa palavra 'trabalho`, tenho problemas com ela"

Isso me fez mergulhar na reflexão sobre o meu papel de presumida liderança na vida de quem trabalha comigo e como o "trabalho" afeta produtividade, desempenho, entrega de valor e qualidade de vida de uma pessoa e de quem vive ao lado dela.

Sobre o trabalho de um líder: é fácil apontar o que deve ser feito, um impulso natural dizer como algo deve ser feito. Entretanto polir "o porquê" até que se torne uma gema preciosa amplamente desejada é algo complexo.

Minha experiência pessoal é de que a principal missão de um líder é ajudar as pessoas a se conectarem com seu propósito. Mas existem dois pontos que tornam isso difícil.

Primeiro: nem sempre o líder tem uma visão clara de suas próprias motivações. Viver uma vida vazia de propósito impossibilita exercitar a liderança. Em segundo lugar está o fato de que conectar com propósito requer relacionamentos profundos. O líder não poderá despertar isso nas pessoas se ele mesmo não estiver completamente comprometido.

Em um ambiente de negócios a "última linha", aquela que mostra o desempenho financeiro real, é a tradutora universal da excelência e pessoas que não conectam seu propósito de vida ao "trabalho" podem gerar lucro mesmo assim. Aqui mora um paradoxo e a pergunta que o resolve é: queremos criar uma empresa lucrativa ou uma cujo crescimento tende ao infinito (Apple, Amazon, Google, Tesla etc)?

Responder a isso tem a ver com encontrar o seu propósito enquanto líder no mundo dos negócios.

Não se pode chegar ao propósito, tanto de uma empresa quanto de uma pessoa, de forma direta. É preciso trabalhar em camadas, uma espécie de compartimentalização dos diferentes elementos até que o fator "propósito" possa ser isolado e visto com clareza.

O esquema de Simon Sineck, "Golden Circle", é muito útil e recomendado para isso. Mas mesmo ele sendo um excelente atalho, aprendi que é preciso dar um passo antes. A viagem ao encontro do propósito requer que a pessoa tenha um sonho de vida, uma visão de médio prazo sobre si mesma (três anos) e ganas de realizar no curto prazo mudanças profundas no ambiente em que ela está inserida.

Responder a esses três perguntas com clareza vão ajudar na tarefa de isolar o propósito: (1) qual é seu sonho de vida, (2) onde você se vê daqui três anos e (3) se você tivesse poderes ilimitados, o que você mudaria agora no contexto que você vive?